Arquitetura Tropical de Veraneio
As soluções construtivas do pavilhão respondiam diretamente ao clima do litoral cearense: ventilação permanente, materiais leves e proteção contra o sol intenso.
Estrutura leve de madeira
A escolha da madeira como material estrutural principal não foi incidental. Em comparação com alvenaria pesada, as construções em madeira permitiam erguer o pavilhão rapidamente, adaptando-se ao terreno irregular de dunas sem exigir fundações profundas. As vigas aparentes, hoje reconstituídas apenas em registros gráficos, sustentavam telhados de inclinação acentuada, pensados para escoar a água de chuva e dissipar o calor acumulado durante o dia.
Fachadas vazadas e ventilação cruzada
Um dos elementos mais característicos do pavilhão era o tratamento das fachadas laterais, compostas por painéis de madeira ripada que permitiam a entrada constante de brisa sem comprometer a privacidade do interior. Esse sistema de ventilação cruzada, comum às construções de veraneio no litoral nordestino da época, tornava o ambiente interno sensivelmente mais ameno do que as construções urbanas tradicionais de alvenaria maciça.
Relação entre interior e exterior
A arquitetura do pavilhão diluía a fronteira entre dentro e fora. Grandes aberturas conectavam o salão de festas à varanda voltada para o mar, criando um percurso contínuo que acompanhava o movimento do sol ao longo do dia — do salão sombreado pela manhã à varanda iluminada pelo entardecer. Essa integração é também o tema central da mecânica interativa Relógio de Sol das Décadas.
Um estilo regional próprio
Mais do que uma simples resposta técnica ao clima, a arquitetura do pavilhão expressava um vocabulário regional que combinava elementos de construção popular litorânea com proporções mais formais, próprias de edifícios destinados ao encontro público. Esse equilíbrio entre informalidade tropical e formalidade social é o que torna o Salão das Dunas um exemplo relevante da arquitetura de veraneio cearense da década de 1940.